Alcoolismo

O alcoolismo é actualmente uma problemática preocupante nos seus diversos quadrantes, assim como se transformou na vertigem de decadência para quem bebe e para quem vê beber. É uma doença com repercussões psicológicas e físicas, podendo mesmo levar à morte. Além consumo de drogas, o alcoolismo é um dos problemas mais graves a nível mundial. As suas definições são múltiplas e surgem sempre associadas às relações e às interacções sociais. O alcoolismo, pode ser definido como doença, descrita pela quantidade de consumo de bebidas alcoólicas, tornando-se patogénico quando há perda do controlo por parte da pessoa. Aquém as implicações nefastas e mortais, é preciso notar que nem todos os consumidores de álcool sofrem ou irão sofrer de problemas graves provenientes do alcoolismo. Em Portugal, o álcool constitui a substância psico-afectiva lícita de abuso mais consumida.


Sinais
Os sinais mais conhecidos são:
1- Empobrecimento do repertório ( existe uma tendência para a pessoa dependente estereotipar o padrão de ingestão – bebida favorita, quantidade, frequência, ocasião de ingestão e companhias;
2- Relevância da bebida - Ocorre quando a pessoa começa a organizar a sua vida à volta do acto de beber, reorganizando os seus trajectos, definindo compromissos sociais dependendo da existência de álcool
3- Aumento da Tolerância ao álcool - a tolerância depende de mecanismos que envolvem maioritariamente as células cerebrais e em menor grau, as células do fígado. Na dependência avançada, observa-se perda ou inversão da tolerância, isto é, a pessoa se possa embriagar com doses que antigamente tolerava, contudo sem sinais de intoxicação
4- Sintomas repetitivos de abstinência - tremores, náuseas, suores e perturbação do humor básico;
5- Alívio ou esquiva dos sintomas de abstinência - Reinstalação após a abstinência - ocorre quando o quadro de tolerância já conquistado, regride para uma baixa tolerância mesmo em pacientes que tenham passado anos sem beber.

Sintomas
No que concerne aos sintomas, destacam-se os seguintes:
1-Ansiedade, Irritabilidade e Excitabilidade
2-Esquecimento, Confusão, Hábito Alcoólico
3- Aparência Descuidada, faces alcoólicas, Icterícia (coloração amarela da pele e mucosas devido aos pigmentos biliares como a bilirrubina)
4-Cicatrizes, Tremores, Ataxia (falta de coordenação motora)


Destes sintomas, destacam-se a perda de controlo, um desejo obsessivo por álcool que pode ser explicitado pela quantidade de álcool sempre insatisfatória, um remorso matinal traduzível por um sentimento de culpa por ter bebido, voltando de seguida a beber tornando-se assim, um ciclo vicioso de culpabilidade e ansiedade.

Fazemos notar que os sintomas causam grande ansiedade na pessoa que bebe mas por serem desagradáveis, a pessoa continua a beber para acalmar o sofrimento, levando o organismo à exaustão pela intolerância ao álcool.

Etapas do Alcoolismo
As etapas do Alcoolismo são pouco conhecidas e distintas, podendo levar a uma confusão entre os problemas emocionais de causas variadas e as primeiras fases do alcoolismo. Não sendo por vezes fácil reconhecer a dependência de álcool de uma pessoa, nas primeiras fases, é necessária uma atenção redobrada, sem que esta seja controladora.
1ª Fase – Sem Dependência Física, Com Dependência Emocional – Inicia-se com a primeira vez que se bebe, havendo pois factores de predisposição fundamental : Factor Orgânico e Benefícios. O primeiro sintoma é a dependência emocional. A pessoa torna-se pouco tolerante, não sendo percebida mudança emocional, esta poderá, muitas vezes, ser confundida com a irritabilidade, infantilidade ou temperamento forte. A partir daí, a doença desenvolve-se, a par da predisposição orgânica. Não há problemas físicos e bebe-se pouco;
2ª Fase – Sem Dependência Física, Apenas Dependência Emocional – O Organismo modifica-se, tem-se a tolerância aumentada, bebe-se mais do que na fase 1, contudo não existem problemas em consequência da ingestão de álcool:
3ªFase- Fase Problemática, com dependência física e emocional : Bebe-se muito. A pessoa apresenta uma alta tolerância à bebida, tornando-se este um problema. A dependência emocional denota-se nos problemas familiares, nas ressacas constantes, nos problemas de relacionamento. Há inicio da síndrome de abstinência, começam as “paradas estratégicas”, podem haver lugar aos internamentos, há contudo, boas expectativas de recuperação física. Há perda de controlo.
4ª Fase – Fase Problemática com Dependência Física e Emocional – Bebe-se muito menos que na fase 1. Começa a dar-se a atrofia cerebral. Pode haver lugar a delírios. Pode-se ter as mãos trémulas por períodos excessivamente longos. Ocorrem problemas físicos e psicológicos graves, havendo a possibilidade de se desenvolver a esquizofrenia. Há expectativas de recuperação física. Perdas extremas.

Nesta última fase, pode surgir a doença mais conhecida associada ao consumo excessivo de álcool – cirrose –. A Cirrose, pode ser definida como a morte ou necrose maciça de áreas consideráveis do fígado. Não é uma doença progressiva e desde que a quantidade suficiente de tecido hepático tenha sido poupada, não há perigo de vida. Na maioria dos indivíduos, a cirrose, não apresenta sintomas nos estádios iniciais e em alguns casos, desenvolve-se sem qualquer sintomatologia até que surgem complicações, num estádio já avançado com lesões no fígado. Em algumas pessoas, a cirrose produz falta de apetite, náuseas e vómitos, cansaço e perturbações digestivas verificáveis na consistência das fezes. Em quadros avançados, surgem a falta de concentração e quadros de confusão mental, aumento do abdómen por extravasamento de líquido e icterícia – a pele e a parte branca do globo ocular tornam-se amarelas pelo acumular de um pigmento denominado bilirrubina.