A Patologia Borderline

A patologia borderline é uma patologia de identidade. De querer ser mas ainda não se é. E a patologia da separação mas também da necessidade, da cara e coroa, do ser e não ser. É o potencial do sonho, sem um sonhador que ainda não (re)nasceu para o sonhar. Pode sonhar mas porque é que não faz uso desse sonho? Do Criador que ainda não se (re)criou. Cria mas porque é que não faz uso dessa criação?

Falta-lhe o brincar, falta-lhe o jogar. É a patologia por excelência do sofrimento do Enlouquecimento.

Pois é a Patologia do DESENCONTRO. Apresenta sempre duas facetas: a da realidade adaptada e a da desorganização psíquica. É a estrutura de personalidade por excelência do apoio, da pouca autonomia pois aquém da depressão está na busca incessante de identificações, mas ora aproxima-se ora afasta-se. Assim como o outro é a bengala que lhe traz alento, também esse outro, nas suas demandas (naturais), anula as suas necessidades. É na falta de mediação, e na função do Eu fronteiriço, poroso, entre dois, nem um nem outro, entre o mundo interno e o mundo externo que torna o mundo para o borderline também ele borderland. O equilíbrio do desequilíbrio é a sua característica mais estável. É a Fluidez dos limites que ameaça a identidade e entrava a evolução e o crescimento pessoal e por tal, leva à chamada actuação e ao sobre investimento do “outro” que não pode se não receber o transbordo amoroso e/ou agressivo. No fundo é a procura da Liberdade interior que (ainda) não se consquistou, pois o caminho ficou perdido nos seus passos, pois o espelho que olhou e olha é sempre ou quase sempre negativo.



Critérios de Diagnóstico:

Padrão global de instabilidade no relacionamento interpessoal, auto-imagem e afectos e impulsividade marcada com o começo da vida adulta e presente numa variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:
1) Esforços frenéticos para evitar o abandono real ou imaginado (nota: não incluir comportamentos automutilante e suicidários)
2) Padrão de relações interpessoais intensas e instáveis caracterizadas por alternância extrema entre idealização e desvalorização
3) Perturbação de identidade: instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento de si próprio
4) Impulsividade, pelo menos, em duas áreas que são potencialmente auto lesivas (gastos, sexo, abuso de substancias, condução ousada, voracidade alimentar)
5) Comportamentos, gestos ou ameaças recorrentes de suicídio ou comportamento auto-mutilante
6) Instabilidade afectiva por reactividade de humor marcada (por exemplo de episódios